Conheci Ursula no Cine Amazônia do ano passado. Eu fazia a cobertura jornalística para o extinto programa Zoom da Tv Cultura e ela como atriz do filme mexicano “Las Buenas Hierbas” de María Novaro.
Ursula havia chegado e recebido a notícia de sua premiação como melhor atriz no Festival de Roma. Dois dias depois, levou o prêmio na mesma categoria em Manaus. Ficamos de voltar a conversar mais sobre cinema, mas só nos encontramos meses mais tarde no Facebook. Quis conhecer um pouco da sua história e dividir com vocês no Só Cinema.
Ursula Pruneda Blum nasceu na cidade do mexico em 1971 e desde cedo se dedicou a estudar teatro. Formou-se atriz e participou de várias peças. Logo surgiriam os convites para telenovelas e curta-metragens como Perro Negro (Gerardo Naranjo,2001); Sonríe (Lorenza Manrique,1997, em que ganhou um premio Ariel) e Santa (María Novaro, 1997).
Atuou em diversos longas entre os quais: Las buenas hierbas (María
Novaro, 2010); Abel (Diego Luna, 2010); Quemar las naves (Francisco Franco, 2008); Sin ton ni Sonia (Carlos Hari Sama, 2003) e Ámbar (Luis Estrada, 1994).
Com Las Buenas Hierbas conquistou vários prêmios no México, como a Deusa de Prata de melhor atriz no PECIME (Periodistas Cinematograficos Del Mexico) e o Mayahuel como melhor atriz de longa mexicano no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara.
Em terras estrangeiras, ela conquistou o Marco Aurelio de Ouro de melhor atriz do Festival Internacional de Cinema de Roma em 2010 e repetiu a dose no Cine Amazônia.
Também por Las Buenas Hierbas, foi nomeada ao Ariel ( O Oscar da academia Mexicana) para Melhor Atriz em 2011.
Seu mais recente projeto é “El Sueno de Lú” de Hari Sama com quem já trabalhou em “Sin ton ni Sonia”.
Encontrei Ursula no Facebook voltando do Festival de Cinema de Morelia, um dos mais importantes do México e conversamos mais um pouco.
SC: Conte-me um pouco desse seu novo projeto, El sueño de Lú.
UP: Trata-se de um longa filmado na Cidade do México e em Bahia Magdalena, na baixa California. A história é a de Lucía Alfaro uma violonista clássica muito importante para a música mexicana. No filme, Lú é uma mãe jovem, solteira e que acaba de perder seu único filho, Sebastián.
O filme começa quando Lú sai do hospital depois de uma tentativa de suicídio. Volta a sua casa e começa um período muito doloroso de lidar com o luto. Ao longo da história vemos como Lú passa da tristeza da perda `a superação.
SC: Como foi participar do Festival de Morelia, e qual a importância dele para o cinema mexicano?
UP: O festival Internacional de Cine de Morelia é uma beleza. As pessoas, os organizadores são muito hospitaleiros. Trata-se de um festival que apresenta um cinema jovem e de uma plataforma importante em nosso país para que nossos filmes sejam vistos no exterior, em outros festivais.
Para nós foi uma experiência importante estar lá durante todo o Festival e assitir a todos os filmes que estavam competindo. A cidade de Morelia é pequena e encantadora, tudo é muito próximo e acessível.
Foi muito interessante ver que grande parte dos filmes tratavam de dores, dores de diferentes tipos. Nos temas havia muito a presença da morte, de perdas, da ausência, da identidade.
SC: Como você vê o cinema Latino-Americano hoje?
UP: Tive a oportunidade de ver muitos filmes latinos no ano passado, quando viajei em festivais com “Las Buenas Hierbas”, e tive grandes surpresas. Temas variadíssimos, grandes atores, atrizes, diretores e diretoras.
SC: Já teve convite para filmar fora do México?
UP: Me encantaria trabalhar fora do meu país, no entanto, ainda não surgiu uma oportunidade. Espero que me convidem!
SC: Conhece o cinema brasileiro? Pretende voltar ao Brasil?
UP: Conheço muito pouco o cinema brasileiro, mas o que eu vi gostei muito. Filmes como “Amor?”, de João Jardim e “Chico Xavier” de Daniel Filho. Isso os mais atuais. E o que dizer então da maravilhosa Sonia Braga no “ Beijo da Mulher Aranha” ou em “ Dona Flor e seus dois Maridos”?
O fato é que me apaixonei pelo Brasil. Fui muito bem tratada no Festival em Manaus e adoraria voltar. Tenho muita saudade dos doces, da comida, do suco de açaí. Ah, e claro, da gente brasileira!