Pela lente de uma jovem cineasta israelense acompanhamos os primeiros momentos da explosão nuclear em Chernobyl, a demora na evacuação e as consequências nas vidas de quatro personagens.
” A Terra Ultrajada” começa na primavera em Pripyat, cidade do interior da Ucrânia, no dia da explosão na usina nuclear próxima, em Chernobyl. Uma festa de casamento é interrompida, o noivo é solicitado para auxiliar a apagar um incêndio. Um pai de família, engenheiro da usina, recebe a indicação para isolar a casa e não sair de lá, mediante a informação que recebe toma em segundos a decisão de retirar sua família da cidade. Tempestades pesadas abalam a comunidade local que, sem saber do perigo, é evacuada somente quatro dias depois. O noivo se junta às operações dos bombeiros, sofre alto grau de radiação e nunca mais retorna para casa. O pai engenheiro não verá seu filho crescer. A população é evacuada sem maiores informações.
Dez anos depois, num cenário apocalíptico, Anya, a noiva, volta à cidade natal agora como guia turística. Valery, agora um jovem rapaz, procura por seu passado perdido e pelo pai. Os habitantes que resolveram permanecer vivem num cenário de abandono e destruição. Para os sobreviventes, nada será como antes.
Belo trabalho realizado pela jovem diretora Michaele Boganim que estudou antropologia na Sorbonne e cinema com Jean Rouch, passando depois à filosofia na Universidade Hebraica de Jerusalém. Em Israel, também estudou fotografia. Mudou-se para Londres para estudar cinema na National Film and Television School. Dirigiu documentários como “Odessa… Odessa!” (2005). “A Terra Ultrajada” é seu primeiro longa.
O Olhar de antropóloga da diretora ajudou a construir um filme complexo e surpreendente. São impressionantes as imagens da cidade abandonada, do pouco caso das autoridades, de como seus habitantes foram desrespeitados. Vale a pena conferir.