Não dá para perder esta deliciosa comédia que está entrando em cartaz este fim de semana, em várias cidades. Você vai dar muitas risadas pode acreditar!
“Os nomes do amor” dirigido por Michel Leclerc mostra as táticas de uma fervorosa ativista política , filha de uma ex-hippie e um imigrante argelino, que usa o envolvimento amoroso como arma para transformar as idéias políticas de seus adversários / amantes.
O filme apresenta de forma irônica e ao mesmo tempo com muita graça temas difíceis como a imigração, a xenofobia, o antissemitismo, tendo como ponto de partida o envolvimento da bela Bahia Benmahmoud , interpretada por Sara Forestier, com Arthur Martin ( Jacques Gamblin), um quarentão conservador, seduzido pela jovem e bela garota, que na verdade tem como único objetivo mudar sua visão política.
Como pano de fundo a pedofilia, as eleições presidenciais, guerras tudo isso intercalado com as situações hilárias que os dois protagonistas tem que enfrentar para viver o seu romance.
O filme foi premiado com o César de Melhor atriz para Sara Forestier e o de Melhor Roteiro Original para Michel Lecler e Baya Kasmi e foi indicado ao César de Melhor Filme Francês de 2011.
Segundo o diretor “ Na França, a questão de origem é complicada e obsessiva. Como você se mantém fiel às raízes sem se curvar para a mentalidade da comunidade? Como você pode ser ateu, sem rejeitar as suas origens? Somos fascinados por essas questões. Apesar de nossas diferenças, reconhecemos semelhanças quando se trata de certas neuroses e obsessões dos nossos pais. Basicamente, os relacionamentos amorosos dependem muito mais dessa questão de família do que em um suposto sentimento de pertencer a uma determinada comunidade. ”
Como o filme nasceu de uma inspiração autobiográfica, Lecler comenta“ Quando você fala sobre si mesmo, ou pelo menos quando você quer utilizar material autobiográfico, o humor permite que você dê um passo atrás o suficiente para não cair na indulgência narcisista. Para falar sobre si mesmo, com certeza, mas também para tirar sarro de si e ao mesmo tempo fazer com que outras pessoas possam entrar na história. Essa é a principal razão pela qual eu faço comédias: parece-me que é a única maneira elegante de falar sobre assuntos pessoais, sem se tornar egocêntrico.”
E comenta “Bahia é uma personagem corajosa. Ela acredita que é sempre melhor tomar alguma atitude – mesmo ruim – do que não fazer nada. Ela é uma ativista que acredita que suas ações podem mudar o mundo. Mas o que faz dela especial é que ela não faz distinção entre o seu compromisso político e o seu compromisso pessoal, uma vez que ela dorme com seus inimigos políticos! “
É aí reside a graça do filme, dois personagens de opiniões e personalidades opostas, na realidade são duas faces complementares, que abordam temas atuais e difíceis de modo divertido e espirituoso. Uma delícia de ver, não perca!
Texto: Dani Baranzini