Entra em cartaz o novo longa de animação digital 3D dos estúdios Aaedman em parceria com a Sony Pictures Animation para responder a dúvida que toda criança inteligente se faz: Como é que o Papai Noel entrega todos os presentes numa única noite?” Operação presente” é dirigida por Sarah Smith, com roteiro de Peter Baynham & Sarah Smith, produzido pelo estúdio Aaedman , que já realizou “ A Fuga das Galinhas”, ” Wallace e Gromit – A Batalha dos Vegetais”, premiado com cerca de 400 prêmios internacionais.
” Operação Presente” desvenda toda a tecnologia que estaria por trás da entrega de cerca de dois bilhões de presentes numa única noite! Você tá pensando que a tarefa é fácil? Olha só como foi planejar tudo isso.
“Uma vez que começamos a pensar sobre como o Papai Noel faz o que faz, foi uma loucura”, comenta Baynham. “Você começa a pensar que ele teria de começar pelo extremo sul da Nova Zelândia e então ir ziguezagueando ao redor do mundo para terminar em 12 horas.
Tivemos discussões acirradas sobre as zonas de fuso horário e se o Papai Noel poderia voar durante o dia e voltar à noite. A ideia de que os elfos dispõem de exatos 18,14 segundos por domicílio é baseada nos cálculos que fizemos”. “Foi preciso calcular quantas crianças há no mundo, quantos presentes elas recebem, e quanto tempo levaria a viagem”, continua Smith.
“Criamos uma linha do tempo, um gráfico, do que acontece ao longo do filme e quando. Sempre que vemos um relógio, nós determinamos a hora que o relógio deveria mostrar, para que tudo se encaixe cronologicamente”.
“As locações variam do Polo Norte ao México, de Toronto à África e Europa. Todas essas locações tiveram de se harmonizar, estilisticamente, no mesmo mundo, o que exigiu muita pesquisa.
“Alguns dos lugares que visitamos no filme só aparecem na tela por alguns minutos, ou poucos segundos, e eles precisam transmitir a essência daquele lugar sem uma legenda no rodapé da tela informando ao público onde é. Nós nos perguntávamos: o que caracteriza a África como sendo a África?”, conta Tomov. “Por outro lado, há outras locações planejadas como uma surpresa que são reveladas no decorrer do filme; isso também foi um desafio”.
A produção começou na sede da Aardman, em Bristol, Inglaterra, onde os cineastas trabalharam no desenho dos personagens, no seu universo e na história. Vários integrantes-chave das equipes da Sony Pictures Animation e da Imageworks se mudaram para Bristol para trabalhar com a equipe da Aardman e facilitar a transição para um tipo de produção digital. O desafio era manter as características do estilo de produção do estúdio , que trabalham com stop motion com personagens em massinha e transpor esse tratamento para o digital.
“Como eles trabalham com massinha, há uma imperfeição encantadora nos seus personagens. Entretanto, tentar criar uma imagem imperfeita no computador é algo muito complicado. Nós passamos algum tempo brincando com a simetria dos personagens e, à medida que ficam menos perfeitos, creio que as pessoas gostavam deles. Isso foi muito importante para Sarah, desde o princípio”, disse o coprodutor Chris Juen.
Quando um modelo é aprovado, ele é escaneado para dentro do computador e passa pelo processo de arte-finalização. “Nós removemos borrões e irregularidades, e isso dá aos animadores uma forma sólida em que trabalhar”, afirma Watts.
Não existe uma fórmula para se escrever um filme de animação, mas por conta da experiência em live-action, da diretora e do roteirista, eles conseguiram evitar alguns dos clichês do meio – passando longe da animação em ritmo frenético e se concentrando na verdadeira emoção das cenas. “Sem percebermos, Pete e eu criamos um desafio absurdamente grande para qualquer filme de animação. Nosso filme depende das sutilezas dos desempenhos emocionais de personagens humanos”, observa Smith.
Na animação digital, qualquer coisa pode ser criada no computador e uma “câmera” virtual pode ser colocada em qualquer ponto do cenário, filmando de qualquer ângulo.
Um animador de stop-motion precisa trabalhar com modelos reais de massinha e uma câmera real, assim como um cineasta de live-action precisa trabalhar com atores reais e equipamentos reais.
Para o supervisor de efeitos visuais, Doug Ikeler, essa abordagem fez com que os animadores se abrissem a novas possibilidades. “Sarah nos tirou da nossa zona de conforto”, afirma ele. “Como não estava tão familiarizada com as limitações quanto a gente, ela pedia coisas que pareciam impossíveis. Nós parávamos, pensávamos e descobríamos que talvez conseguíssemos fazer aquilo afinal de contas, sabe”.
“Para nós, os personagens são o mais importante”, afirma o produtor, Steve Pegram. “Nunca dizemos que queremos que o filme tenha um tipo de visual determinado; nós encontramos a personalidade dos personagens, e o visual é uma consequência disso”.
“Uma vez criados os personagens, quando sabemos até que ponto são estilizados ou realistas, podemos começar a criar os ambientes nos quais eles vivem”.
Para uma primeira versão de como os desenhos dos personagens poderiam ser, os cineastas procuraram Peter de Sève, um conhecido ilustrador e animador. A partir desses esboços preliminares, o desenhista de personagens, Tim Watts, traduziu a inspiração em um personagem completo que poderia ser animado em três dimensões.
“Quando tínhamos um desenho que Sarah aprovava, ele passava à fase de escultura para que explorássemos o modo como suas proporções funcionariam em três dimensões”. Em muitos filmes de animação digital, os modelos são feitos diretamente no computador, mas em Operação Presente , Watts os criou da maneira tradicional: com massinha.
Bom, já deu para perceber o trabalho que foi fazer esse longa de animação, com cerca de 60 pessoas envolvidas na sua realização e três anos de muito suor para o filme ficar pronto. Então se você é da turma que gosta ou faz animação, prepare-se para ver ” Operação Presente”!