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Marina Meliande e o cinema de Rogério Sganzerla

 

 

Quando a diretora Marina Meliande nasceu em 1980, Rogério Sganzerla já era um nome consagrado do cinema brasileiro.

 

Crítico de cinema do jornal “O Estado de São Paulo” nos anos 60,  Sganzerla iria preparar o terreno para o cinema de transgressão e invenção da década seguinte, com dois filmes que se tornaram clássicos imediatos: “O Bandido da Luz Vermelha” de 1968 e “A Mulher de Todos” de 1969.

Seu cinema, enigmático e de difícil classificação, era marcado pela apropriação anárquica de signos e estéticas da época,  como a cultura pop, a narrativa não linear, um novo modo de enquadrar e de montar e de remontar, o  humor, a política, o erotismo, o radicalismo, a poesia, enfim, um solo de guitarra feito de imagem, de som e de fúria.

Em 1970 se junta a Julio Bressane e funda a Belair, produtora responsável por outros filmes fundamentais como “O Abismo”, “Copacabana Mon Amour” e “Sem essa Aranha”.

Ao todo, filmou 17 longas, entre documentário, curtas e ficção.

Em 2003 , Sganzerla concluía sua última obra  ”O Signo do Caos”, um pouco antes de Mariana se formar no curso de cinema na Universidade Federal Fluminense.

Marina só conheceu Sganzerla através de seus filmes.

Ela já tinha rodado um curta em 2003, “Por Dentro de uma Gota Dágua”. Em 2004 fez  ” O Nome dele (Clóvis)” , o seu segundo curta.

Em parceria com seu amigo da UFF, o diretor Felipe Bragança, ela fez a trilogia “Coração no Fogo” composta dos longas  ”A Alegria” (2008), “A Fuga da Mulher Gorila” (2009) e “Desassossego – Filme das Maravilhas” (2011).

Por onde passam, seja nos espaços culturais do Rio ou em Cannes,  os filmes atraem pelo frescor de um cinema jovem, de baixo orçamento, inventivo, livre. Um cinema praticado por uma nova geração que tem como referência cineastas como Rogério Sganzerla.

Nem tudo está perdido. Quem tiver de sapato não sobra.

(Marcelo Camera)

 

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