Adam Sandler protagoniza os dois papéis-título de Cada Um Tem a Gêmea Que Merece (Jack and Jill), comédia dirigida por Dennis Dugan. O Só Cinema vai mostrar como foi que a equipe técnica resolveu os desafios dessa produção.
Cada Um tem a Gêmea que Merece é uma comédia focada em Jack Sadelstein (Adam Sandler), um publicitário de sucesso em Los Angeles com uma bela esposa e filhos, que ano após ano teme um evento: a visita de sua irmã gêmea idêntica Jill (também Adam Sandler) no feriado de Ação de Graças.
Sandler precisou de uma engenhosa coordenação pra interpretar ambos os papéis.
“A gag, em parte, é que Jack e Jill fariam exatamente as mesmas coisas ao mesmo tempo”, explica Steven Koren, coautor do roteiro,“Para isso, é claro, Adam tinha que fazer a mesma cena duas vezes: primeiro como um gêmeo e depois, como o outro. Era quase como uma dança, um balé; o Adam precisou ter uma concentração incrível e uma sincronização perfeita.
Para fazer frente aos desafios técnicos de se rodar Adam Sandler contracenando com ele mesmo, os cineastas recorreram primeiramente ao diretor de fotografia, Dean Cundey, que filmou Uma Cilada Para Roger Rabbit , De Volta Para o Futuro e Jurassic Park – Parque dos Dinossauros, entre outros. Dean Cundey conta como foi esse processo de filmagem:
“Quando um ator interpreta dois personagens no mesmo quadro ao mesmo tempo, são inúmeros os fatores complicadores, pois o processo, em geral, exige que você faça uma tomada com um dos personagens em um quadro e, depois, repita a mesma tomada com o outro personagem também no quadro”, explica Cundey. “Às vezes, é um processo relativamente simples como um split. Nessas tomadas, a câmera não se move. Você filma duas vezes: com o ator interpretando um personagem em um lado do quadro e uma segunda vez com o outro personagem do outro lado do quadro. Aí, casamos os dois no computador, quase como você faria tirando duas fotografias, cortando-as ao meio e colando a metade de uma à da outra”.
A partir dessas tomadas simples, o processo vai se tornando consideravelmente mais complicado. “Usamos movimentos de câmera, eles tocam um no outro, passam objetos um para o outro. É uma ótima forma de prender a atenção do público”, prossegue. “A gente filmava o Adam como o Jack. Depois, ele saía e se caracterizava como Jill; a iluminação do set era religada e tínhamos que nos assegurar que incidisse exatamente sobre o ponto em que Adam estaria de pé no papel de Jill. O Adam entrava em cena e nós lhe dávamos um ponto eletrônico que ele usava para ouvir o seu desempenho como Jack, que tínhamos acabado de rodar. Nós montamos um monitor para que ele pudesse acompanhar o que Jack estava fazendo. Os técnicos de controle de movimento asseguravam que nossos movimentos de câmera fossem exatamente os mesmos em cada um dos planos. E, finalmente, o compositor de platô ia montando as tomadas à medida que as filmávamos e nos mostrava como estava saindo a montagem para que nós pudéssemos avaliá-la e julgá-la. Filmar assim exigiu uma equipe numerosa”.
“Utilizamos uma câmera controlada por computador e programada para realizar o mesmo movimento várias vezes”, explica DeLeeuw responsável pelos efeitos especiais, “Assim, podíamos filmar uma vez com o Jack e fazer a mesma coisa com a Jill”. Um bom exemplo, segundo ele, é a cena em que Pacino se encanta com Jill durante uma partida de basquete. “Temos não só Jack e Jill, mas também os jogadores de basquete e os espectadores ao fundo. Quanto maior o cenário, maior é a dificuldade”.
“Em muitos planos, rodávamos o Adam com uma dublê de corpo da Jill usando um capuz verde sobre a cabeça, que, posteriormente, removíamos para substituí-lo com o Adam no papel da Jill”, explica o diretor de fotografia : “O processo no set é como reunir as peças de um quebra-cabeça, um mosaico que é posteriormente montado pelos compositores e a equipe de pós-produção. Meu trabalho era garantir que tivéssemos todas as peças adequadas para completar o quebra-cabeça, pois à medida que o público vai se tornando cada vez mais sofisticado, você não pode fazer apenas o básico. O mais legal desta produção foi a oportunidade de tomarmos decisões de improviso. Se surgia uma nova ideia, Dennis, o assistente de direção e eu decidíamos como iríamos filmá-la”.
Outro desafio do filme foi fazer com que Sandler se desdobrasse em dois personagens, os responsáveis foram Ann Pala pelo departamento de maquiagem, Thomas Real pelo cabelo e a figurinista, Ellen Lutter.
“Foi muito divertido, exceto pela maquiagem. O processo levava de 3 horas e meia a 4 horas e eles espalham cola pela minha cara toda, até na minha barba. Eu usava cinco próteses na minha cabeça e no rosto. Três dias depois de rodar, eu continuava encontrando restos de cola”, comenta Sandler.
“Os principais fatores para lhe dar feições femininas foram os olhos, as bochechas, os dentes e a franja. Nós usamos nove tons diferentes de maquiagem para realçar e corrigir”, comenta Ann Pala. Para os cineastas, era importante criar uma personagem Jill real. “Adam não interpreta um homem interpretando uma mulher, ele está interpretando uma mulher”, comenta Lutter. “Não era uma questão de criar uma drag, queríamos criar uma mulher real, com uma personalidade e traços específicos. Ela tinha que ser verdadeira e natural.
Outra curiosidade interessante da produção é que uma parte das filmagens foram realizadas num navio que fazia os últimos testes antes de abrigar passageiros. Assim a equipe técnica pode filmar com o navio vazio. O diretor de fotografia comenta como foi essa locação:
“Tivemos a sorte de que o nosso filme coincidisse com o lançamento do navio. O navio estava sendo construído na Noruega durante a pré-produção do filme. Enviamos alguns eletricistas à Noruega para instalar o cabeamento e as conexões elétricas necessárias de modo que, quando o navio chegasse aqui, estivéssemos prontos para rodar. Nós os encontramos na Flórida e, durante a fase de testes da embarcação, quando ainda ajustavam os últimos detalhes para receber seus passageiros, pudemos passar 10 dias a bordo, filmando”.
“Sabíamos de antemão que trabalhar em um cruzeiro tem suas restrições “ Filmar em um navio, contudo, embora envolva certos desafios, também tem suas vantagens. Quando rodávamos na proa do navio, à medida que o dia avançava, o sol mudava de posição. E como não havia passageiros comerciais a bordo e nenhum destino específico a ser alcançado, o comandante simplesmente girava o navio para que o sol se mantivesse na mesma posição o dia todo. Não existe nenhuma locação no mundo em que possamos contar com esse tipo de adaptação à incidência solar. O comandante girava o navio lentamente, um grau a cada seis minutos”, explica Cundey. “Assim, o sol se mantinha exatamente no mesmo lugar com relação ao navio. Um dia, por exemplo, o tempo amanheceu nublado na costa da Flórida, mas isso não foi problema: o comandante deslocou o navio para outro lugar”.
Para que a ilusão de que Jack e Jill são, de fato, duas pessoas diferentes fosse realmente convincente, tudo precisou ser cuidadosamente planejado, explica Dan DeLeeuw, o supervisor efeitos visuais. “Jack e Jill pulam corda em dupla, cercados por uma multidão”, conta ele. “Temos o mar ao fundo, o sol está se pondo e, obviamente, tínhamos de rodar duas vezes para captar os dois irmãos. Esse foi o desafio: rodar um filme de gêmeos na popa de um navio enquanto o sol se punha. O navio tem um convés alaranjado que se refletia nos atores, criando uma bela tonalidade. E temos o azul do céu aberto, um efeito que não se conseguiria com a iluminação e o uso do chromakey”.
Agora que já sabemos um pouco de como foi a produção do filme é ver o resultado na tela grande, o filme entra em cartaz dia 10/02!