O Diretor Wolney Atalla fala sobre Sequestro, que estréia em São Paulo e Rio.
Em 1987 ,Wolney Atalla partiu para Nova Iorque para estudar cinema e quando voltou em 1999 para o Brasil encontrou uma São Paulo aterrorizada pela onda de sequestros,que na época faziam uma média de 500 vítimas por ano.
Depois de rodar o seu primeiro longa “A Vida em Cana”, sobre os cortadores de cana de açúcar nas usinas, elegeu este tipo de crime como tema para o seu segundo documentário.
Começou a produzir em 2001, filmou entre 2004 e 2009, e agora, dez anos depois, Sequestro, chega as salas de São Paulo e Rio de Janeiro, causando reações ambíguas entre o público e os críticos.O atraso se deu devido a estratégia de promoção do filme nos EUA para disputar o Oscar de melhor documentário, depois do sucesso no Festival de Beverly Hills.
Sequestro chega sem causar grande interesse, em parte porque a onda de sequestros em São Paulo já não existe em relação aos anos 2000 (neste ano tivemos 51 casos), em outra porque o filme nos remete ao formato dos programas policiais que invadiram a TV aberta nos últimos anos.
Mas engana-se quem pensa que Sequestro, seja apenas uma grande reportagem sobre o DAS a Divisão Anti Sequestro de São Paulo.
Wolney quis entender o fenômeno, foi atrás de fontes chaves para traçar a sua tese: a de que o sequestro só se tornou um crime comum depois da prisão dos irmãos argentinos Humberto e Horácio Paz que arquitetaram o sequestro do empresário Abilio Diniz em 1989 e num segundo momento do chileno Mauricio Norambuena. Estes especialistas, movidos ou não por razões políticas, foram presos em cadeias comuns e teriam transmitido as técnicas para outros criminosos.
Além de entrevistas de policiais e sequestradores, Wolney focou muita nas vítimas, e conseguiu autorização especial para acompanhar a família do empresário José Ibiapina na negociação do sequestro que durou 36 dias.
Em entrevista ao Só Cinema, Wolney Atalla fala sobre os detalhes da produção de Sequestro.