Documentário de Evaldo Mocarzel que retrata a vida dos catadores de materiais recicláveis na cidade de São Paulo. Prêmio Especial do Júri , melhor fotografia e melhor filme pelo Júri Popular no Festival de Brasília em 2008.
” À Margem do lixo” é o terceiro de quatro documentários dedicados aos marginalizados da sociedade. A série começou em 2003 com ” À Margem da Imagem”, que discute a estetização da miséria e o roubo da imagem de quem está na exclusão social mais absoluta. Este primeiro documentário da série recebeu 19 prêmios em festivais no Brasil e no exterior. Em 2006 Mocarzel realizou “À Margem do Concreto” , um retrato dos sem-teto da cidade de São Paulo, também premiado como melhor filme pelo Júri Popular no Festival de Brasília.
Em “ À Margem do lixo” Mocarzel acompanha a luta social e política dos catadores de lixo, mostrando o seu dia a dia, as rejeições e discriminações sofridas, suas reuniões no Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e a luta para legalizar esse trabalho como uma profissão regulamentada. Esse é um job cuja a indústria de reciclagem de alumínio movimenta cerca de R$ 850 milhões por ano. A importância no âmbito ambiental é relevante tanto no aspecto da sobrevivência desses trabalhadores manuais, como na preservação do meio ambiente. São Paulo é uma das cidades que possui o maior número de catadores de lixo do país..
“O documentário tenta focalizar a indústria da reciclagem a partir do catador. O Brasil é líder mundial da reciclagem de alumínio. 87% do alumínio produzido é reciclado”, explica o diretor Evaldo Mocarzel. “A lucratividade desta indústria é sustentada de muitas maneiras pela economia informal e pela miséria destes catadores”, completou Mocarzel. “Eu queria um filme que falasse sobre o trabalho. Eu queria um cinema de propaganda da luta e da militância”, ressaltou.
Evaldo Mocarzel é jornalista,documentarista e escritor e diretor de peças de teatro. Dirigiu seu primeiro curta em 1999 ,” Retratos no Parque ” e em 2005 fez o documentário “ Do Luto à Luta” uma catarze pessoal sobre a Síndrome de Down. Evaldo é um produtor veraz que através da tecnologia digital pode realizar vários filmes, numa média de um ao ano! Em 2006, finalizou o documentário “Jardim Ângela”, no ano seguinte lança mais dois documentários: “Brigada Pára-Quedista”, sobre a tropa de elite do Exército e “O Cinema dos Meus Olhos”, sobre a relação de críticos e realizadores com o cinema. Em 2008, finalizou “A Margem do Lixo” e “Sentidos à Flor da Pele.” Os projetos BR-3, a peça e BR-3, o documentário foram realizados em 2009, junto com os longas “Quebradeiras” e “ São Paulo Companhia de Dança”. Seus dois últimos projetos, finalizados em 2010, foram “Cubra Libre” e “Encontro das Águas”.
Texto: Dani Baranzini